O presente artigo propõe uma reflexão crítica sobre as inter-relações entre arte, natureza e colonialidade, com especial atenção às contribuições e críticas formuladas ao conceito de Antropoceno a partir de perspectivas latino-americanas. Para desenvolver essa reflexão, o artigo se organiza em duas partes. Na primeira parte, são apresentadas as críticas ao conceito de Antropoceno com base nas contribuições de pensadores como Aníbal Quijano, Ailton Krenak, Antonio Bispo, Deborah Danowski e Marisol de la Cadena. Suas formulações apontam para a urgência de superar os paradigmas ocidentais que tratam a natureza como um recurso externo à cultura, denunciando o caráter colonial e extrativista que sustenta tais discursos. Na segunda parte, o foco recai sobre as práticas artísticas contemporâneas que tensionam essas questões e que se articulam diretamente com os debates sobre ecologia, colonialidade e feminismos. São analisadas obras e projetos de artistas como Lucas Bambozzi, Paulo Tavares, Giselle Beiguelman e Constanza Pinã, cujas poéticas propõem formas de engajamento crítico com o meio ambiente e com as marcas deixadas por processos históricos de violência, dominação e apagamento cultural herdados do colonialismo. Esses trabalhos não apenas denunciam os efeitos do colonialismo histórico, mas também criam espaços de experimentação estética e política, em diálogo com outras formas de imaginar e estar no mundo.
Gleicy Kelly Barros RoteiasV CostaAndré Renato Oliveira
Juliano Nogueira de AlmeidaTulíola Almeida de Souza Lima