O foco deste texto é refletir sobre os vínculos entre natureza, colonialidade e Direitos Humanos na leitura do filósofo argentino Enrique Dussel. Assim, questionamos qual a contribuição que os Direitos Humanos podem oferecer à luz da crítica de Enrique Dussel para pensar tais processos excludentes de reprodução do capital na América Latina? Em que medida o pensamento latino-americano pode contribuir de forma radical? Qual a razão para a natureza ser apropriada de forma mercantil na modernidade? Para responder tais questões, organizamos o trabalho em quatro momentos: no primeiro momento, apresentaremos a “crítica” dusseliana aos Direitos Humanos na América Latina; no segundo momento, analisaremos as relações entre capitalismo e colonialidade das quais a modernidade cumpriu etapa decisiva para apropriação mercantil da natureza. No terceiro, situaremos a sua contribuição acerca do direito vigente x direito utópico em sua aproximação crítica para os Direitos Humanos realizada pelo pensador argentino. Por fim, indicaremos a contribuição política de Dussel para uma crítica a ordem social capitalista, para outra ordem social, capaz de garantir o direito à vida e ao ambiente na América Latina.
Igor Veloso RibeiroEstêvão Rafael Fernandes