Neste artigo discuto, a partir de um diálogo entre a perspectiva bakhtiniana e autores dos estudos da racialidade, como a raça, como signo ideológico, opera de forma constitutiva no tripé existencial eu-para-mim, eu-para-outro e outro-para-mim de homens negros que são intérpretes de Libras. Para tanto, adoto a metodologia das cenas narrativas proposta por Luz (2011) e analiso duas situações de racismo vivenciadas por intérpretes negros. Nas cenas analisadas, a raça operou como signo ideológico de coisificação do corpo negro e de esvaziamento da identidade profissional levando os intérpretes ao discurso da autodefesa de seus lugares sociais como trabalhadores da interpretação.
Maria Eduarda Motta Vieira Rosa