Num país onde o racismo estrutura e opera diariamente a vida de mais da metade de sua população faz-se necessário que todas as esferas sociais (especialmente a educação), atuem na perspectiva antirracista. Há mais de duas décadas no ensino básico do Brasil entrou em vigor a lei 10.639, conquista do movimento negro, que tem como principal objetivo promover uma educação que valorize a cultura afro-brasileira. Assim, é uma tarefa obrigatória para todos os estabelecimentos de ensino e cursos de graduação (licenciaturas e pedagogia) atuar para que estudantes e corpo docente vivenciem relações de ensino-aprendizagem conhecendo e respeitando o legado cultural, artístico, científico e tecnológico dos povos africanos e afrodiaspóricos. Pesquisas apontam que a implantação dessa lei está muito longe do ideal tanto no sentido da organização curricular das escolas (como ausência de formação e orientações pedagógicas nas redes de ensino e falta de articulação explícita com habilidades e competências da BNCC), quanto no sentido específico de áreas como a Matemática e suas Tecnologias (como ausência de materiais pedagógicos, artigos científicos com relatos de experiência ou cursos de formação continuada). Utilizando a matriz metodológica descolonial e a pedagogia histórico-crítica, serão apresentadas quatro propostas didáticas (relacionadas à Geometria, Trigonometria, Probabilidade e Estatística) para contribuir com uma Educação Matemática antirracista. Assim, almeja-se que as aulas de matemática também sejam aliadas na luta antirracista e decolonial, tanto a partir da exaltação da cultura africana e afrodiaspórica, quanto no respeito e valorização dos conhecimentos culturais, matemáticos e científicos dos povos africanos.
Cláudia Maria FormagioEdenar Souza Monteiro
Letícia Regina da Silva MartinsLuciana Salustiano Alves da SilvaElimeire Alves de OliveiraIjosiel MendesTiago Moreno Lopes RobertoMelka Carolina Catelan FariaSuéllen Danúbia da SilvaAmanda Cuim da Silva
DEBORA DE ALMEIDA MACEDOSERGIO LUIZ LOPES