Introdução: A contaminação do sistema fluvial amazônico por mercúrio (Hg) decorrente do garimpo é um importante problema ambiental, que tem trazido consequências, também, aos humanos. Estudos demonstram que as comunidades ribeirinhas que praticam a pesca próximo às áreas de garimpo são expostas a concentrações de mercúrio acima do tolerável (6 µg/g). O peixe é base alimentar desta população e é a ingestão de peixe contaminado é a principal via de intoxicação por mercúrio. A carne de algumas espécies, sobretudo as carnívoras, capturadas nas proximidades do garimpo, têm apresentado altas concentrações da forma orgânica do mercúrio, chamada metilmercúrio (MeHg), considerada a mais tóxica entre as formas metálicas e um contaminante ambiental altamente prejudicial à saúde. Além disso, o MeHg é neurotóxico devido sua alta lipossolubilidade, com efeitos nocivos nas membranas celulares da formação lipídica da bainha de mielina, causando danos graves ao Sistema Nervoso Central. Objetivo: Relacionar o consumo de pescado contaminado por mercúrio e as consequências neurológicas em populações ribeirinhas da região amazônica. Material e métodos: Revisão integrativa de literatura, com os descritores “manifestações neurológicas” AND “mercúrio” AND “ribeirinhos”. Na busca inicial, foram encontrados 179 artigos. Após os filtros, restaram 6; 2 excluídos por duplicidade e 1 relato de caso. Três artigos integraram a pesquisa. Resultados: Foram encontradas concentrações de mercúrio significativamente maiores em comunidades ribeirinhas expostas ao garimpo e em garimpeiros. Não houve diferença expressiva nas manifestações emocionais. As manifestações neurológicas encontradas foram alteração da marcha, dor nos membros, parestesia e fraqueza muscular, tremores, sensibilidade (dolorosa, térmica, tátil, reflexos) e Parkinson, reiterando a neurotoxicidade do mercúrio. Outros sintomas foram alteração de memória, náuseas/vômitos, adormecimento nas mãos, insônia, tristeza, ansiedade, medo e agressividade, porém sem associação direta com mercúrio constatada. Conclusão: Em síntese, o metilmercúrio tem grande potencial neurotóxico. Os estudos afirmaram que os ribeirinhos desconhecem os riscos à saúde do consumo de peixe contaminado pelo metal. Assim, medidas educativas sobre a escolha por espécies menos contaminadas (herbívoros e planctívoros) e as áreas seguras de captura são fundamentais para prevenção de intoxicação por ingestão de peixes contaminados por mercúrio nas populações ribeirinhas e a instalações de consequências neurológicas.
Leonardo Pereira de BarrosFabiana Costa CardosoLeonardo Breno do Nascimento de AvizMaria Pinheiro
José Maria Farah CostaCamile Irene Mota da SilvaAbner Ariel da Silva LimaDario Rodrigues JúniorLuiz Carlos L. SilveiraGivago da Silva SouzaMaria da Conceição Nascimento Pinheiro
Ana Lucia Pinheiro CardosoTatiane Costa QuaresmaFranciane de Paula FernandesSheyla Mara Silva de OliveiraLívia de Aguiar ValentimWaldiney Pires Moraes
Isabella Oliveira SantosRicardo Elias Duarte RabelloRachel Geber CorrêaGiane Zupellari dos Santos MeloÂngela Xavier Monteiro