Pretende-se, neste artigo, mostrar de que modo Arendt, mantendo-se fiel à sua posição marxista e à crítica contundente da democracia forma, combina elementos liberais e democráticos para defender um modelo de Estado constitucional, onde os direitos individuais sejam garantidos ao mesmo tempo em que sejam mantidos espaços de liberdade que permitam aos cidadãos tornarem-se, de algum modo, participantes da gestão governamental e das questões públicas em geral. Para tanto, me concentrarei, não nos textos em que Arendt se volta para o totalitarismo ou para a ditadura, mas naqueles (principalmente Da Revolução e Desobediência Civil) em que se dedica a refletir sobre os modos de gerar e ampliar espaços de liberdade em um contexto político em que as condições para tanto estão, em certa medida, já estabelecidas, como é o caso da república americana.
Eduardo Carlos Bianca BittarSamuel Rodrigues Barbosa