A autoficção, termo cunhado por Serge Doubrovsky, refere-se à prática literária em que o autor mistura elementos autobiográficos com ficção, desafiando as fronteiras entre realidade e narrativa. Essa técnica literária oferece uma perspectiva única ao leitor, ao permitir que o autor explore sua própria identidade e experiências através de uma narrativa que flui entre o factual e o fictício. Apesar da obra de Goliarda Sapienza ser definida como autobiográfica, tanto pela própria autora quanto pela crítica, são evidentes os traços característicos da autoficção em seus romances. Meu objetivo com o presente trabalho é o de demonstrar algumas características autoficcionais presentes na obra L’Università di Rebibbia (1983) de Goliarda Sapienza, além de evidenciar como a autora se utiliza desse recurso literário para ir além da sua narrativa de cárcere e lançar uma luz totalmente nova para sua época sobre a percepção do feminino encarcerado.