Introdução: A Injúria Renal Aguda (IRA) em pacientes críticos está associada à alta morbimortalidade, porém poucos estudos avaliaram IRA em pacientes neurocríticos, sobretudo em países em desenvolvimento. Este trabalho tem como objetivo descrever IRA em pacientes neurocríticos e correlacionar com prognóstico. Métodos: Trata-se de uma coorte retrospectiva incluindo pacientes internados durante 1 ano em uma unidade de terapia intensiva neurológica. Foram analisados dados epidemiológicos e clínicos com foco em alterações renais e sua relação com o prognóstico. A análise estatística foi realizada utilizando-se o software GraphPad Prism 10.4.2, com teste U de Mann-Whitney para comparação de médias e teste exato de Fisher para variáveis categóricas. Resultados: Em um total de 50 pacientes, 73% eram do sexo feminino com idade média de 46,9 ± 14,9 anos. As principais etiologias foram hemorragia subaracnóide, seguida de acidente vascular isquêmico e complicações medulares imunológicas e mecânicas. Aproximadamente metade dos pacientes (47%) desenvolveu IRA, de acordo com o critério KDIGO; 58% foram classificados como KDIGO 1, 28% como KDIGO 2 e 14 % como KDIGO 3. A incidência de IRA foi maior nos pacientes com menor pontuação na ECG (ECG 12,4 ± 0,7 vs. 14,3 ± 0,3; p <0,023) e entre os pacientes neurocirúrgicos (75% vs. 38%; p=0,026); A média de dias de internação na UTI foi maior nos pacientes com IRA (9,9 ± 7,8 vs. 4,4 ± 1,6; p < 0,0001) bem como a necessidade de ventilação mecânica (78,57 vs. 21,43%; p=0,0230). Necessitaram de hemodiálise 13,63%, sendo maior a mortalidade no grupo dialítico (66,7 vs. 33,3%; p = 0,0130). Não houve correlação de pacientes neurocríticos que desenvolveram IRA com sepse nem IRA com óbitos. Discussão e Conclusões: Apesar de raros trabalhos na literatura avaliando IRA em neurocríticos, o maior tempo de internação e mortalidade entre pacientes neurocríticos dialíticos foi consonante com a literatura, sendo essa mortalidade até maior que em pacientes críticos geral em uma coorte nacional recente (66% vs. 50%). Considerando que sepse é um dos principais fatores associados à IRA em pacientes críticos, não houve essa correlação em pacientes neurocríticos, sugerindo que outros mecanismos possam interferir com os resultados apresentados. Sabendo-se que a IRA está associada a piores desfechos em pacientes neurocríticos, esse estudo chama a atenção para orientação de medidas no sentido de prevenir e tratar precocemente essa complicação.
Fernando G. ZampieriHenrique PalombaFernando A. BozzaDaniel Caraca CubosThiago Gomes Romano
Maria Eduarda Cardoso SilvaSávio Aparecido Melo da SilvaJoão Felipe Guapo PasquiniVinícius de Oliveira MasieroL. GarciaFabrizio Almeida PRADORenne RodriguesDenise Andrade Pereira Meier
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