RESUMO O objetivo deste artigo é analisar e refletir acerca do processo criativo do romance Respiração artificial (1980), primeiro romance do escritor argentino Ricardo Piglia (1940-2017). Após publicação dos três volumes de Os diários de Emilio Renzi, ocorrida entre 2015 e 2017, ficou ainda mais evidente o projeto borgeano de Piglia que pensa a literatura como indissociável da teoria e da crítica. A publicação, coordenada por Piglia, de partes selecionadas de seus diários, lançou luz sobre o laboratório criativo do escritor. Os diários de Emilio Renzi abriu novas perspectivas de leitura para toda a produção de Piglia. É como se a “máquina polifacética” de Piglia encontrasse por fim sua locomotiva. Tomando como ponto de partida as reflexões desenvolvidas nos diários, este trabalho objetiva refletir sobre as relações entre os primeiros textos críticos publicados por Piglia e Respiração artificial (1980), seu primeiro romance. Esta pesquisa se insere no campo teórico-metodológico da crítica genética.