Ana Amélia Costa Conceição Amorim Soares Carvalho
A elaboração de seu ensaio de ontologia fenomenológica levou Jean-Paul Sartre(1905-1980) a concluir que o ser humano está condenado a ser livre, na medida em que a liberdade decorre da função nadificadora da consciência, que é movimento e indeterminação. Sem qualquer substância, a consciência só existe de maneira relacional, é sempre consciência de algo, e por isso a liberdade, para o filósofo existencialista, é inequivocamente situada. Com efeito, como consequência da ampliação da noção de situação, Sartre se aprofundou em temas como ética, sociabilidade, história e política, por exemplo. Dessa forma, centrando-se em um texto curto denominado Eléctions, piège à cons(1973), artigo político em que o filósofo apresenta uma dura crítica à compreensão do voto enquanto ato político, este trabalho busca entender como as noções de liberdade, projeto, engajamento e responsabilidade se articulam no pensamento político sartriano. A hipótese da pesquisa é de que há possibilidade de extrair do referido texto circunstancial, com a leitura prévia das grandes obras clássicas de Sartre, entre elas, O Ser e o Nada(1943) e Crítica da Razão Dialética(1960), uma noção de ação política ancorada na inventividade humana, foco deste trabalho específico, e na necessidade de formação de grupos orientados por projetos comuns. Busca-se demonstrar a referida hipótese a partir de uma metodologia bibliográfica e qualitativa e tendo como ponto de partida a percepção de que, no pensamento sartriano, a liberdade é por princípio prática, ou seja, é ato de libertação.
Leonardo Octavio Belinelli de Brito