Neste artigo, analisamos as reflexões de Josué de Castro que em sua Geografia da Fome inaugurou uma nova forma de analisar os fatores que informavam a dinâmica urbana da cidade do Recife. A novidade da crítica de Castro estava no fato de ele indicar o “fenômeno da fome” como catalisador do “fenômeno urbano”. Nosso objetivo é produzir uma interpretação das imagens e das representações de novo tipo que Castro produziu acerca da cidade do Recife. Para tanto, analisaremos as interconexões entre as reflexões formuladas sobre a cidade e o contexto situacional. Os fatores geográficos e culturais que influenciam a conformação do espaço urbano serão analisados na medida em que o olhar crítico que esse intelectual direcionou às “questões urbanas” da cidade do Recife traga à tona esses elementos. Nossa perspectiva de análise procura entender este processo como produto de uma historicidade que articula história intelectual e história urbana tendo sua centralidade na cidade do Recife.
Elizabeth AcciolyLília AndradeM. L. Santos