O presente trabalho tem por objetivo compreender a disseminação do conceito de Cidades MIL, proposto pela UNESCO em 2018. Observa-se uma lacuna na compreensão do fenômeno, motivo pelo qual acionam-se os conceitos de mobilidades de políticas e turismo de políticas, para analisar a dinâmica dos fluxos de pessoas, documentos e informações que compõem a circulação desta proposta da UNESCO. A pesquisa busca identificar, analisar e criticar a circulação do modelo, através dos discursos e processos relacionados a Cidades MIL em diferentes escalas, com foco na interconexão entre o que se move (modelos de políticas) e quem os move (agentes). De abordagem exploratória e qualitativa, foram conduzidas entrevistas com agentes envolvidos na transferência de informações acerca do modelo no Brasil, bem como consultas a documentos públicos sobre Cidades MIL. Os resultados corroboram o argumento sobre as mobilidades de políticas, onde expertises, atores e documentos se movem em diferentes contextos, sendo o turismo de políticas uma das possíveis formas pelas quais o fenômeno se materializa. As contribuições deste trabalho possibilitam uma melhor compreensão do turismo de políticas e a sua relação com as mobilidades de políticas, proporcionando subsídios para o desenvolvimento de um campo teórico, através da análise do processo das práticas políticas e da circulação de modelos urbanos, que envolve fluxos de pessoas, documentos e informações, revelando redes de poder e quem e como pode se beneficiar das ideias em circulação.
Paula Cristina Almeida RemoaldoYoná da Silva DalonsoJúlia Lourenço
Fábio Freitas da SilvaGeísa Pereira Marcilio NogueiraÍtalo de Oliveira MatiasLudmila Gonçalves da MattaAldo Shimoya