As troianas de Sêneca é ambientada no campo de prisioneiras em solo troiano, após o conflito corpo a corpo da guerra de Troia. A leitura da peça propõe que as mulheres troianas, lideradas pela rainha Hécuba, travem o último combate, usando como arma a voz que ainda lhes resta no campo de prisioneiras. O presente artigo apresenta trechos da retradução feminista da peça As troianas, a fim de propor uma abordagem crítica de recepção das obras da Antiguidade greco-romana, bem como propor uma tradução que explicite temáticas violentas presentes no texto de partida. Esta abordagem promove a transdisciplinaridade entre os Estudos de Recepção dos Clássicos, os Estudos Feministas da Tradução e os Estudos Críticos de Gênero, de Raça e de Sexualidade, propondo uma perspectiva engajada para a recepção crítica dos Estudos Clássicos e desafiando as marcas do eurocentrismo, do colonialismo e, principalmente, do sexismo nos textos clássicos.