O artigo situa as tensões teóricas e metodológicas das perspectivas queer e marxista no contexto do desenvolvimento recente do capitalismo dos EUA. O desenvolvimento material e ideológico das formas taylorista e fordista (desenvolvimento de tecnologias de produção e estímulo ao consumo de massa) tem relação direta com a reificação do erótico, pois a indução ao consumo teria levadoa uma autonomização sem precedentes do desejo sexual. A base material de produção capitalista é responsável por dissociar sexualidade e gênero e abre caminho para a reificação do erótico pela classe, sobredeterminando políticas anti-heterossexistas. No entanto, há uma dialética histórica mutuamente produtiva e constitutiva da mercadorização do desejo e de sua politização. A reificação é, também, uma inflexão produtiva, que deve ser pensada de maneira mais dialética e menos funcionalista. Nesse sentido, o artigo propõe que a cultura do consumo pode ser lida como um ponto necessário e contínuo da história moderna e da luta anti-heterossexista.
Maria de Belém Da Costa Barros
Weiduschadt PatríciaBastos Maria Helena Câmara