Um dos campos de estudos interdisciplinares que têm apresentado nos últimos anos interessantes desenvolvimentos é o que engloba as zonas de contato entre as áreas da arte e da literatura. Seria possível, na verdade, recuar bastante no tempo em busca de sinais desses contatos e trocas. Mas não indo tão longe, podemos lembrar do pequeno e influente texto de Honoré de Balzac (2000), A obra-prima ignorada, que mereceu leituras atentas de teóricos da arte, de Georges Didi-Huberman a Teixeira Coelho. Este texto trata de representar um artista do século XVII em plena atividade na França, Frenhofer, um Pigmalião moderno que se apaixona pela própria pintura, Catherine, deixando de vê-la como os outros (seus visitantes, os também pintores Poussin e Porbus) a veem.
Nancy FernándezEdgardo H. Berg