Eliézer Reis VicenteLúcia Gonçalves de Freitas
O presente artigo buscou analisar como a Matemática entra na Política Nacional de Alfabetização (PNA) proposta pelo governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. Tal política se inseria entre as visões dominantes desse governo de que a escola teria que se concentrar em ensinar a ler, escrever e contar. Como esse governo combateu veementemente os estudos de gênero e as ciências humanas e sociais de um modo geral, elegendo as ciências cognitivas como paradigma para suas políticas de alfabetização, com foco na Matemática, analisamos, neste artigo, o discurso da PNA em relação ao ensino dessa linguagem. Para isso, adotamos a perspectiva foucaultiana do discurso, em uma vertente pós-estruturalista. A pesquisa foi desenvolvida dentro dos pressupostos de natureza qualitativa, de cunho bibliográfico e documental. A análise mostra o manejado de expressões como “evidências científicas” e “numeracia” no discurso da PNA, que foram articuladas politicamente de forma a não desafiar as estruturas desiguais de nossa sociedade, dentre elas as questões de gênero, mantendo o status quo.
Leandro Vieira CavalcanteJackson Araujo de Sousa
John A. SousaLeandro Vieira Cavalcante