A moradia é, com efeito, o bem imobiliário de maior complexidade das cidades. Não só possui forte dimensão simbólica, material e social, mas também está atrelada fisicamente a uma fração específica e não reprodutível do espaço urbano, o que significa que acessar uma moradia é também acessar, com maior ou menor facilidade, os diversos valores de uso da cidade. Nesse sentido, o objetivo deste artigo é desenvolver considerações teóricas acerca da produção capitalista desse bem, assim como do espaço urbano de modo geral, resgatando para tanto, principalmente, expoentes da sociologia urbana marxista, bem como alguns dos postulados de Marx e Engels - em especial a teoria da renda da terra desse primeiro. Acreditamos que tais considerações possuem forte relevância para a compreensão das particularidades da produção habitacional e do espaço urbano atuais, bem como o potencial de servirem como subsídios para futuros trabalhos inseridos nessa temática, sobre os quais apontamos, ao fim, alguns direcionamentos de atual importância - em especial o que chamamos de "nova produção rentista".
Glaúcio José MarafonRafaela Janice Zillmer
Gustavo Henrique Camargo EufrásioCarmem Lúcia Costa
Pedro HöfigCláudio Roberto Bragueto