Luciane de PaulaGiovana Cristina de Moura
O Brasil está regido por um governo marcado por uma tendência totalitária historicamente arquitetada desde o integralismo, com encaminhamento que pode ser entendido como neonazifacista, calcado na intolerância. Na saga Harry Potter (HP), as marcas da política vilanesca de Voldemort refletem e refratam as do atual governo brasileiro. O objetivo deste artigo é pensar sobre as simetrias entre vida e arte, semiotizadas por Voldemort e Bolsonaro, além de verificar como essa correlação se tornou debate na comunidade de fãs de HP, com relação à associação da obra à política. O método adotado é o dialético-dialógico bakhtiniano. As concepções mobilizadas são: diálogo, enunciado, vozes sociais, reflexo e refração, forças centrípetas e centrífugas, arte e vida. Algumas respostas dos fãs de HP a um manifesto de repúdio à candidatura de Bolsonaro à presidência da República em 2018, postado no maior portal da comunidade no Brasil, o Potterish, em cotejo com declarações do Presidente, compõem esta reflexão, dada a repercussão do evento à época. Os resultados confirmam o pressuposto de que a arte é semeada e nutre a vida, ao menos, é o que ocorre entre Voldemort e Bolsonaro, conforme o próprio manifesto do Potterish.
Pedro Santos MundimIsabella Amaral