Marden Barbosa de CamposLeandro Okamoto da SilvaBárbara Roberto EstanislauRicardo Ventura Santos
A migração de indígenas é uma temática que desperta interesse de estudiosos de diversas áreas de conhecimento. Apenas no Brasil, dezenas de textos tratando do tema foram publicados nos últimos anos, produzidos por pesquisadores de áreas como a antropologia, a história, a geografia, a sociologia e a demografia. A maior parte desses trabalhos direcionou-se para o estudo de etnias específicas e pontos localizados no território, principalmente entre os povos cuja mobilidade espacial é um aspecto característico, como os Guaranis, alvo da maior parte dos estudos sobre o tema. Por outro lado, são raras as análises que fazem referência aos padrões de migração dos povos indígenas no Brasil de forma agregada. Os censos demográficos vêm se tornando uma das principais fontes de informação sobre populações indígenas no Brasil, principalmente para a produção de estatísticas com representatividade nacional. Desde a (re)inserção da categoria “indígena” no quesito de cor ou raça do Censo 1991 que o número de estudos de natureza quantitativa sobre os indígenas vem crescendo de forma significativa no País. Contudo, também são poucos os estudos que usam o censo como fonte de informação para estudos sobre migração dos povos indígenas. A maioria da produção científica existente é de natureza qualitativa e tem no trabalho de campo, em especial nas etnografias, a principal fonte de informações sobre o tema.O presente artigo discute as possibilidades de uso dos dados do Censo Demográfico de 2010 para estudo da migração dos indivíduos declarados como indígenas. Os recortes espaciais adotados são, além do Brasil como um todo, as áreas urbanas e rurais das Grandes Regiões geográficas. Buscamos assim contribuir para o estudo do tema a partir de uma perspectiva pouco explorada e que complementaria, a nosso ver, os trabalhos de natureza localizada. Ao mesmo tempo em que as pesquisas específicas e estudos localizados proveem informações aprofundadas que não podem ser obtidas com base em dados censitários, limitados que são pelo tamanho da amostra, os censos possibilitam conhecer padrões agregados da mobilidade indígena que não podem ser obtidos com base em levantamentos localizados. O diálogo entre estudos localizados e análises agregadas dos povos indígenas torna-se, nesse sentido, fundamental tanto para o estudo do tema como para avaliação do alcance dos dados censitários sobre migração.O artigo está dividido da seguinte forma: após a seção inicial, que faz um breve levantamento bibliográfico sobre migração de indígenas, é feita uma problematização do Censo como ferramenta de análise de dados sobre populações indígenas. Em seguida, são apresentadas as estratégias metodológicas escolhidas para as análises. A quarta seção apresentação os resultados da análise e, na última seção, são apresentadas as considerações finais do texto.
Gerson Luiz MarinhoAline Diniz Rodrigues CaldasRicardo Ventura Santos
Luciene Guimarães de SouzaSílvia Ângela GugelminBarbara Coelho Barbosa da CunhaMarina Atanaka
Michele Aparecida de SáGuilherme Donini Armiato
Marden Barbosa de CamposGabriel Mendes BorgesBernardo Lanza QueirozRicardo Ventura Santos
Marden Barbosa de CamposMarcos Damasceno