INTRODUCAO A hemostasia faz parte do processo biologico de homeostase do organismo animal e a obtencao desta no momento cirurgico e de extrema importância para garantir o sucesso do procedimento e prevenir que o paciente venha a obito por hemorragia (OLSEN et al., 1996; MACPHAIL, 2015). Trata-se de uma tecnica essencial ao cirurgiao veterinario, sendo um dos principios postulados por Halsted (1852-1922), os quais sao considerados ate o momento. Na cirurgia veterinaria, a hemostasia em vasos de pequeno calibre e com baixa pressao sanguinea pode ser realizada com sucesso, utilizando compressao manual no leito, aplicando agentes hemostaticos topicos ou realizando pincamento dos vasos. Porem, em vasos de maior calibre, com fluxo sanguineo significativo, como arterias, as ligaduras sao necessarias (MACPHAIL, 2015). Contudo, procedimentos cirurgicos reais, que envolvam ligadura de vasos sanguineos, sao, na maioria dos casos, complexos, que exigem habilidade, experiencia e destreza do cirurgiao, em virtude do contato com estruturas nobres do organismo animal (OLSEN et al., 1996; GRIFFON et al., 2000). Desta maneira, torna-se essencial o treinamento de ligaduras anteriormente a realizacao do procedimento em pacientes reais. Entretanto os vasos sanguineos, diferentemente de outros tecidos do organismo animal, possuem a dinâmica vascular, a qual nao e observada em cadaveres e pecas anatomicas (GRIFFON et al., 2000; ABOUD et al., 2004; RIBEIRO et al., 2013). Neste contexto, surge a necessidade de modelos didaticos para ensino da tecnica cirurgica, que viabilizem todos os processos necessarios e que tornem a pratica mais real possivel. Portanto, descreve-se a criacao de um modelo didatico simples, reprodutivel e de baixo custo para o treinamento de ligaduras como metodo inicial de aprendizado. DESCRICAO O modelo foi criado para mimetizar vasos sanguineos calibrosos e situacoes cirurgicas que requerem a hemostasia destes. Foi confeccionado com bexigas de latex do tipo palito em duas cores, sendo azul para representar veias e vermelha para arterias. Em suporte de madeira, as bexigas foram fixadas pela extremidade em um gancho metalico. O suporte foi posicionado sobre a mesa cirurgica a fim de permitir que o academico pudesse realizar a tecnica sem a necessidade de auxiliar. Ademais, atentando a necessidade de estabelecer padroes minimos de dinâmica vascular e com o objetivo de tornar o modelo mais interessante aos praticantes, foi criada uma substância para mimetizar o sangue animal. Este foi confeccionado com mistura de 500ml de detergente vermelho de louca (maca), 15 gotas de corante alimenticio gel da cor vermelha e tres da cor azul. Salienta-se que na dependencia da marca do corante, pode ser necessario o ajuste da quantidade de corante. As bexigas foram preenchidas com o conteudo liquido e atadas na extremidade com um no e posteriormente fixadas no suporte de madeira para a realizacao da referida pratica. Foram propostas a realizacao de ligaduras dupla, circular e transfixante para aplicacao em vasos, permitindo o treinamento da tecnica das tres pincas modificada, uma das utilizadas em procedimentos de ovario-histerectomia e orquiectomia, baseando-se nos pressupostos de Hendrickson (2013) e Macphail (2015). Preconizou-se que a pratica fosse realizada em ambiente cirurgico, integralmente de maneira asseptica, com paramentacao adequada, observando o correto uso dos instrumentais cirurgicos e atentando a correta postura do cirurgiao como em situacoes cirurgicas reais. As agulhas e materiais de sutura foram utilizados conforme a disponibilidade e/ou preferencia dos discentes, sendo utilizadas agulhas de fundo falso, benjamin, hipodermicas de diferentes tamanhos, assim como nailon de pesca, seda trancada ou fios cirurgicos agulhados. RESULTADOS e DISCUSSAO O modelo didatico foi utilizado em aula pratica da graduacao, na disciplina de tecnica cirurgica veterinaria de uma Universidade, com o objetivo de permitir aos discentes a pratica de ligaduras sem o comprometimento atrelado a vida de um paciente real. Segundo Magalhaes e Ortencio Filho (2006), o ensino da tecnica cirurgica carece de modelos didaticos que substituam pacientes reais e cadaveres. Alem disso, como defendido por Griffon et al. (2000) e Abdulal e Onyekwelu (2016), e essencial que os academicos tenham a oportunidade de treinar as tecnicas cirurgicas em seu proprio ritmo, repetitivamente, reconhecendo suas limitacoes, sem a preocupacao com o bem-estar animal e o desconforto de principios eticos envolvidos com a pratica em animais vivos. Materiais didaticos com a proposta de mimetizar estruturas vasculares ja foram sugeridos por outros autores e foram utilizados com sucesso (OLSEN et al., 1996; GRIFFON et al., 2000; ABOUD et al., 2004; RIBEIRO et al., 2013), porem diferem da proposta atual principalmente devido a facilidade da elaboracao e baixo custo. O modelo atual teve custos infimos e foi de facil confeccao, o que permite a viabilidade do seu uso. Notou-se que a substância elaborada para mimetizar o sangue dos pacientes foi uma preocupacao pertinente durante a elaboracao do modelo, assim como nos trabalhos de Griffon et al. (2000), Aboud et al. (2004) e Ribeiro et al. (2013), pois foi utilizada em centro cirurgico e teve contato direto com panos de campo, instrumentais e com os academicos. Preconizou-se pelos autores que a substância fosse atoxica, inocua aos instrumentais cirurgicos e panos de campo e que nao permitisse a proliferacao bacteriana. Deste modo, optou-se por nao utilizar misturas contendo acucares como gelatinas e sucos em po para a coloracao da substância, ao mesmo tempo que o detergente foi utilizando, dando consistencia adequada ao “sangue” e viabilizando a lavagem dos panos de campo cirurgico apos a atividade pratica. Por fim, destaca-se que o modelo alcancou os objetivos da proposta, pois mimetizou satisfatoriamente os vasos sanguineos e viabilizou, no que foi possivel, a dinâmica vascular, permitindo aos discentes a pratica de ligaduras. Alem disso, o modelo foi avaliado positivamente pelos academicos, sendo o exercicio considerado uma experiencia valiosa para o treinamento basico da tecnica. A viabilidade apresentada por este modelo torna reprodutivel o seu uso no ensino da tecnica cirurgica em outras instituicoes de ensino superior. Contudo, os autores enfatizam que o modelo proposto nao substitui totalmente a pratica em animais vivos. Considera-se uma alternativa viavel que permite o treinamento previo do procedimento e aumenta a confianca e as habilidades dos academicos para situacoes cirurgicas reais, de modo que sejam minimizados danos iatrogenicos em pacientes danos iatrogenicos em pacientes nesse momento. Ademais, a proposta surge como uma maneira de repensar a utilizacao de animais em um primeiro momento e promove o uso racional e humano destes no ensino da cirurgia. Palavras-chave: tecnica cirurgica; modelos didaticos; materiais alternativos; ensino; cirurgia. Keyword: surgical technique; didactic models; alternative materials; teaching; surgery. REFERENCIAS Abdulal S, Onyekwelu O. 2016. An alternative model for teaching tendon repair and surgical skills in plastic surgery. JPRAS Open . 7: 12-15. Aboud E, Suarez CE, Al-Mefty O. et al. 2004. New alternative to animal models for surgical training. Alternatives to Laboratory Animals . 32(1): 501-507. Griffon DJ, Cronin P, Kirby B. et al. 2000. Evaluation of a hemostasis model for teaching ovariohysterectomy in veterinary surgery. Veterinary Surgery . 29: 309-316. Hendrickson, DA. 2013. Knots e ligatures. In: Hendrickson DA, Baird AN. Techniques in large animal surgery. 4. ed. Ames: Wiley Blackwell. pp. 71-76. MacPhail CM. 2015. Biomateriais, sutura e hemostasias . In: Fossum TW. Cirurgia de Pequenos Animais. 4. ed. Rio de Janeiro: Elsevier. pp. 64-83. Magalhaes M, Ortencio Filho H. 2006. Alternativas ao uso de animais como recurso didatico. Arquivos de Ciencias Veterinarias e Zoologia . 9(2): 147-154. Olsen, D, Bauer MS, Seim HB. et al. 1996. Evaluation of a hemostasis model for teaching basic surgical skills. Veterinary Surgery . 25: 49-58. Ribeiro CL, Bittencourt CR, Ponczek CAC. et al. 2013. Confeccao de modelos artificiais de baixo custo como auxilio aprendizagem de acesso vascular em pequenos animais. Archives of Veterinary Science . 18(4): 25-30.
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