Reuniram-se em Salvador, Bahia, de 4 a 9 de agosto, mais de 250 participantes do Congresso organizado pelo Movimento Leigos para a America Latina (MLAL) sobre o tema: A contribuicao das experiencias de Educacao Popular para a transformacao das instituicoes e da sociedade civil. Na grande maioria, eram voluntarios italianos trabalhando na America Latina mais alguns representantes de experiencias de Educacao Popular e assessores de varios paises da America Latina e da Italia. Os voluntarios italianos sao um grupo bem definido de cristaos pertencentes a um movimento que se define - nas palavras de seu Presidente, Amedeo Piva - atraves de tres referencias fundamentais: centralidade e primado da pessoa, pluralismo exigido pela inspiracao crista e o popular. Os objetivos do Congresso eram ambiciosos: confrontar as experiencias de Educacao Popular, avaliar e aprofunda-las teoricamente, estimular intercâmbios e articulacoes... A heterogeneidade das situacoes e das experiencias, o grande numero de participantes e o pouco tempo de um Congresso nao permitiram avancar muito na linha desejada. De outro lado, a propria homogeneidade dos participantes cristaos, agentes ou assessores em Educacao Popular, representava um potencial e um limite. Isso nao elimina a importância do Congresso, que - alem de outros merecimentos - serviu para constatar a contribuicao que os voluntarios italianos estao dando ao movimento popular latino-americano. Nao pretendo apresentar uma sintese do desenvolvimento e dos resultados dos trabalhos, menos ainda uma avaliacao global do encontro: seria dificil pela complexidade e diversidade das colocacoes. O encontro revelou sem duvida, uma grande riqueza de experiencias educativas estimuladas pela colaboracao dos voluntarios italianos, juntamente com um bom nivel de reflexao. Em relacao ao Congresso, algumas criticas ja apareceram: lamentam sobretudo o pouco espaco dado a voz dos voluntarios e, ao contrario, a excessiva confianca na palavra dos assessores. Retomo isso porque revela uma certa contradicao com a perspectiva da educacao popular e porque pretendo sobre isso fazer umas reflexoes. Minha intencao se limita, em primeiro lugar, a apresentar e comentar parte do conteudo, utilizando uma sintese feita por Luis Alberto Gomes de Souza. Em segundo lugar, aproveito a ocasiao para acenar a duas questoes que vao alem do Congresso e que, pelo menos no Brasil, estao presentes na problematica da Educacao Popular: a questao da consciencia popular e a questao da organizacao. Duas partes bem definidas e diferenciadas.
André Luis PereiraCamilla Meneguel Arenhart