O presente texto revê o debate sobre a questão do “público” no contexto das reconfigurações do capitalismocontemporâneo – brasileiro em particular –, identificando os mecanismos pelos quais as cidades tornam-se lugar do consumismo e do consumismo de lugar. Por um lado, observa-se um conflito sobre a configuração do visível, tendo por objeto a distribuição dos espaços privados e públicos, dos assuntos que neles se trata ou não se trata e dos atores que têm ou não motivos para deles se ocupar. Por outro, vemos operar os dispositivos de uma cadeia produtiva do estilo de vida dominante nas cidades, articulando o consumismo “das famílias” ao padrão macroestrutural de utilização do espaço, de seus recursos e das massas de capital em busca de sua rentabilização, disseminando uma determinada concepção do que seja o progresso e o desenvolvimento da nação, fazendo com que a atenção da população restrinja-se à busca de meios para participar do circuito acelerado do consumismo.
Laboratório Território e Cidadania da UFRJ
Igor CatalãoMaria Angélica de Oliveira Magrini
Figueiredo, Luís Alberto Ramos