Atualmente, ouvimos demasiadamente o significante “depressão” ecoar nos mais variados contextos e, em especial, naqueles que se dedicam ao atendimento de questões relacionadas à saúde mental. Diante disso, torna-se relevante o contínuo pensar e repensar a respeito dessa modalidade de subjetivação e/ou “mal-estar” contemporâneo. O interesse pelo tema proposto nasceu da prática clínica cotidiana em Saúde Pública, realizada num Centro de Saúde (CS-III) de uma cidade do interior de São Paulo. Nossa problemática assentou-se no intuito de compreender a exacerbada medicalização da depressão na atualidade, especificamente os impactos subjetivos provocados por tais intervenções. Utilizamos de uma metodologia qualitativa cujo método clínico psicanalítico nos permitiu trabalhar no resgate de fragmentos clínicos, sendo estes constituídos com base nas reminiscências do próprio pesquisador, de maneira que selecionamos para a pesquisa aqueles casos em que o paciente se dizia depressivo e insatisfeito com relação ao tratamento medicamentoso. O interesse por tais casos deve-se ao fato destes apresentarem evidências que contradizem as perspectivas amplamente disseminadas na atualidade, que atestam um diagnóstico necessariamente patológico acompanhado das prescrições medicamentosas, na mesma medida em que este “mal-estar” se mostrou como um fator significativo capaz de impulsionar a busca de psicoterapia por parte dos pacientes. Nossa constatação na prática clínica cotidiana de que a maioria dos casos diagnosticados como “depressão” sempre está acompanhada da indicação do uso cotidiano de psicofármacos, e que ainda...
Livia Freire de Menezes HerculanoLeonardo Danziato
Jaqueline Oliveira AmorimRogério de Andrade Barros
Jaqueline Oliveira AmorimRogério de Andrade Barros
Ana Carolina CernicchiaroJosé Isaías Venera
Maria Clara Carneiro BastosRogério de Andrade Barros